APRENDIZAGENS, EXPERIÊNCIAS, OPORTUNIDADE E CONHECIMENTO CONSTRUIDOS DURANTE O PERÍODO DA PANDEMIA COVID-19, NA ÁREA POLITICA

APRENDIZAGENS, EXPERIÊNCIAS, OPORTUNIDADE E CONHECIMENTO
CONSTRUIDOS DURANTE O PERÍODO DA PANDEMIA COVID-19, NA ÁREA
POLITICA

Gabriely Teixeira Pereira

A pandemia de Covid-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2 ou Novo Corona vírus, vem
produzindo repercussões não apenas de ordem biomédica e epidemiológica em escala
global, mas também repercussões e impactos sociais, econômicos, políticos, culturais e
históricos sem precedentes na história recente das epidemias.

A estimativa de infectados e mortos concorre diretamente com o impacto sobre os
sistemas de saúde, com a exposição de populações e grupos vulneráveis, a sustentação
econômica do sistema financeiro e da população, a saúde mental das pessoas em
tempos de confinamento e temor pelo risco de adoecimento e morte, acesso a bens
essenciais como alimentação, medicamentos, transporte, entre outros.

Além disso, a necessidade de ações para contenção da mobilidade social como
isolamento e quarentena, bem como a velocidade e urgência de testagem de
medicamentos e vacinas evidenciam implicações éticas e de direitos humanos que
merecem análise crítica e prudência.

Partindo-se da perspectiva teórica de que as enfermidades são fenômenos a um só
tempo biológicos e sociais, construídos historicamente mediante complexos processos
de negociação, disputas e produção de consensos, objetivo das atividades deste eixo
envolve compreender e responder parcialmente aos desafios colocados pela
pandemia, organizando uma rede de pesquisadores do campo das ciências sociais e
humanidades visando a investigação, resposta e capacitação como estratégias para o
enfrentamento do Covid-19 no Brasil.

As políticas públicas enfrentam a urgência em ações que contemplem os aspectos
sociais e econômicos. Estamos diante, entre outras circunstâncias, da suspensão das
aulas em escolas e universidades, do fechamento do comércio, da proibição de
eventos em massa, do distanciamento social e da limitação de fluxo em aeroportos.
Medidas interventivas sempre serão instrumentos de força e de autoridade, que
justificam a atuação do Direito Administrativo, quando necessário, e a razão de ser do
Estado, principalmente em momentos de crise mundial e pandemia. As medidas
tornam-se necessárias para o combate da discriminação da Covid-19.
Este termo também foi definido como uma espécie de estímulo. É qualquer aspecto da
arquitetura de escolhas capaz de mudar o comportamento das pessoas de forma
previsível sem vetar qualquer opção e sem nenhuma mudança significativa em seus
incentivos econômicos.

A economia comportamental emerge como uma importante estratégia a ser adotada
em políticas públicas para mudar o comportamento do cidadão. Os agentes de
políticas públicas podem ser bem-sucedidos em levar os cidadãos ao comportamento
cívico, caso sigam a arquitetura cognitiva da escolha que estes enfrentam no dia a dia
e principalmente em momentos de crise.

Em síntese, a economia comportamental confere cientificidade à fragilidade cognitiva-
comportamental dos cidadãos, ela permite, também, a identificação dos padrões de
comportamento, com intuito de subsidiar as políticas públicas em relação a
formulação de leis e medidas de intervenção administrativa. Ao funcionamento do
cérebro resta comprovada a confusão própria da condição humana, pois somos
engenhosos em algumas coisas e muito inábeis em outras. Somos extremamente
inteligentes ao mesmo passo limitados em racionalidade.

Contudo, o objetivo do estudo da tomada de decisão, toma-se como referência o fato
de estarmos diante da pandemia da Covid-19, exige escolha ou mesmo determinação
de pelo isolamento, afastamento social, limitação e fracionamento de produtos,
fechamento de serviços, novos hábitos de higiene, reforçam o papel das emoções em
face das relações com diferentes níveis de realidade e o modelo de tomada de decisão.
O comportamento oferece convincentes vieses, ou seja, erros sistemáticos no
julgamento e nas decisões, nesta tendência os cidadãos em não se adaptarem às
necessidades da crise. Muitos insights comportamentais são relevantes para uma
análise da situação da pandemia e de como pensar em tratar esse problema. A multa
imposta, no decreto em comento, induz a um comportamento pela lógica racional, que
sem a multa poderia, em muitos casos, manter idosos ainda nas ruas de Porto Alegre,
motivados pelos impulsos emocionais.

A revelação do comportamento não somente sugere que os cidadãos laborem sob
uma variedade de poderosos preconceitos e crenças, mas que a libertação destes
preconceitos é difícil, se não impossível. Condutas como a comprometedora super
confiança persistem insistentemente, mesmo quando as pessoas são alertadas sobre
as incisivas probabilidades de eventos adversos. Por certo, quando as pessoas
superestimam sua imunidade individual contra danos, pode ser que deixem de tomar
medidas sensatas de prevenção.

Somos agentes econômicos, as nações se potencializam como instrumentos de poder
também diante da sua força financeira. Podemos falar em uma sociedade do consumo
impactada por uma sociedade econômica e vice-versa. Novas são as economias que
conjugam um espaço mais leve diante da rigidez da economia clássica baseada na
produção material.

A ordem atual modificou o jeito de fazer as coisas, negócios digitais móveis e
transmissão de pensamentos em tempo real criaram a tecnologia disruptiva (termo
que define a inovação de um produto, ou serviço, com particularidades de provocar
uma ruptura aos padrões já estabelecidos no mercado). As novas economias, entre
elas a digital, ampliam o acesso em um tempo de produção desmaterializada, o que
permite o surgimento de uma economia criativa e, por consequência, a economia de
acesso, que proporciona, por sua vez, a economia de compartilhamento, que passa a
exigir um cuidado com os bens e ambientes compartilhados, surgindo assim a
economia da confiança.

De modo geral, o cenário que se projeta, necessariamente incerto, pois não se tem a
dimensão dos efeitos finais, em todas as ordens, da Covid-19, irá trazer consigo o

amadurecimento da economia do cuidado, consubstanciado à reconstrução do bem
estar das pessoas. Em sentido restrito, um dos setores que sinaliza cuidado advém das
relações de consumo. Algumas medidas serão duras, porém legítimas se ao fim o
objetivo for de promover o bem estar, o cuidado.

A vulnerabilidade como base principiológica, sempre esteve presente ao se justificar a
proteção aos mais frágeis, ao exemplo de consumidores e trabalhadores. A
contemporaneidade está fazendo entender que somos, como nunca, todos
vulneráveis, alguns ainda mais, outros que tinham a condição de vulnerar, passam a
entender o que é estar também em condições de vulnerabilidade, seguindo o exemplo
anterior, os fornecedores e empregadores. As políticas públicas que estarão por vir
devem entender a ruptura de paradigmas como uma proposta de construir um espaço
de cuidado como a primeira lição da Covid-19. Nova política, capaz de cuidar das
mazelas sociais em consonância aos efeitos econômicos, levando em consideração que
a maior das consequências da pandemia será humana.


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